O senador Flávio Bolsonaro (PL) despontou como o postulante ao Palácio do Planalto que mais direcionou recursos eleitorais para a Meta, holding que controla o Facebook, o WhatsApp e o Instagram. O montante desembolsado pelo parlamentar ultrapassa o volume financeiro aplicado por todos os seus oponentes somados na fase inicial da disputa.
Domínio individual e recorde nas redes sociais
Os números oficiais catalogados no sistema DivulgaCand, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mostram que os R$ 7,45 milhões aplicados pelo senador superam amplamente o restante dos concorrentes. Quando agrupados, os gastos dos outros 11 concorrentes do primeiro turno — lista que inclui o presidente Lula — atingem o equivalente a apenas 63% do valor destinado individualmente pelo candidato do PL.
Ao todo, as campanhas políticas de 2026 já canalizaram R$ 288,7 milhões diretamente à companhia norte-americana de tecnologia. A cifra consolida a maior marca já computada no país e mais do que duplica os registros observados no pleito de 2022. Os balanços, contudo, ainda podem sofrer alterações até o fechamento definitivo das contas, agendado para 3 de novembro para os eliminados e 14 de novembro para os concorrentes da fase decisiva.
Evolução dos gastos digitais e força das legendas
Os lançamentos contábeis das equipes de campanha estão classificados sob as rubricas de “impulsionamento” e “impulsionamento de conteúdos para redes sociais”. O cenário confirma a dependência crescente das ferramentas digitais no marketing político desde 2018. Se há oito anos nenhuma candidatura havia chegado a R$ 1 milhão alocado na empresa, a Meta já respondeu por cerca de 10% de todo o orçamento declarado tanto por Flávio quanto por Lula no pleito atual.
Classificação partidária
Na divisão por agremiações partidárias, o Partido Liberal (PL) encabeça os investimentos na big tech com R$ 63,7 milhões. O Partido dos Trabalhadores (PT) ocupa a segunda colocação, com R$ 37,9 milhões, acompanhado pelo PSD (R$ 30,3 milhões) e pelo União Brasil (R$ 23,3 milhões). Essas somas contemplam unicamente os repasses centrais declarados, deixando de fora anúncios bancados por agências, diretórios regionais ou militantes.
Pressão e impasse jurídico no TSE
Paralelamente às cifras milionárias, a empresa de tecnologia enfrenta escrutínio na Justiça Eleitoral em razão de debates sobre a influência de corporações internacionais nas votações brasileiras. O atrito ganhou força após episódios apontados como “falhas técnicas” no alcance de publicações promovidas pela campanha de Lula. Em posicionamento divulgado no dia 16 de outubro, a Meta sustentou que seus algoritmos não utilizam filtros ideológicos e que os incidentes decorreram de fatores estritamente tecnológicos.
Diante do quadro, o ministro Marco Aurélio Bellizze, integrante do TSE, determinou que a empresa apresente em 24 horas a comprovação de que atendeu às ordens judiciais voltadas a assegurar equilíbrio na veiculação de propaganda e posts no segundo turno. A Meta interpôs recurso contra a exigência, mas o magistrado ressaltou que o pedido não suspende a obrigação, determinando a entrega imediata de relatórios em língua portuguesa que discriminem as medidas espontâneas daquelas impostas pela Justiça.
Fonte: Metro1