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Lula e Flávio Bolsonaro debatem propostas e trocam acusações na Globo

Encontro decisivo a dois dias do segundo turno abordou infraestrutura, economia, agronegócio e investimentos regionais.
Após troca de ataques na Band, Lula e Flávio alternam entre críticas e propostas na Globo Após troca de ataques na Band, Lula e Flávio alternam entre críticas e propostas na Globo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro participaram nesta sexta-feira (23) do debate promovido pela TV Globo, marcado por intensa troca de acusações, ironias e apresentação de propostas de governo. O evento ocorreu a apenas dois dias do segundo turno das eleições presidenciais, com discussões centradas em infraestrutura, salário mínimo, agronegócio e desenvolvimento regional.

Disputa sobre o setor de infraestrutura e obras públicas

Durante o bloco voltado para infraestrutura e exportações, o senador Flávio Bolsonaro utilizou dados do Tribunal de Contas da União (TCU) para apontar a existência de mais de 11,5 mil construções paralisadas no país, definindo o cenário como um “grande cemitério de obras”. Em resposta, o atual presidente declarou que herdou 6 mil projetos nessa condição e defendeu o volume de recursos aplicados por suas administrações. “Em nenhum momento na história do país se investiu tanto em obras de infraestrutura como nos investimos nos últimos anos”, afirmou Lula.

Entre as promessas apresentadas, Flávio garantiu que pretende “rasgar o Brasil de ferrovias”, concluir a Transnordestina e desenvolver o eixo Sul para conectar o Centro-Oeste ao Paraná e a Santa Catarina. O parlamentar também mencionou investimentos em concessões rodoviárias e portuárias, além de ampliar o acesso à internet em comunidades indígenas. Por sua vez, o chefe do Executivo citou iniciativas em andamento como a BR-319, a Transnordestina, a Fiol e a Fico. Ironizando o preparo do rival, Lula comparou o adversário a um estudante que decora o conteúdo para o vestibular e enfatizou: “Nós estamos fazendo a Transnordestina, a Fiol e a Fico. Não é que vão fazer: estamos fazendo”.

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Debate sobre salário mínimo e economia

No segmento focado na região Sudeste, a discussão econômica ganhou destaque quando o petista questionou o impacto que o salário mínimo teria caso não fossem aplicados os aumentos reais promovidos em suas gestões anteriores e nos mandatos de Dilma Rousseff. Segundo o presidente, a quantia estaria fixada em R$ 900 sem essas intervenções. “Seria R$ 900. É isso que eles querem para o Brasil”, declarou o candidato à reeleição, que também criticou a proximidade do opositor com o líder argentino Javier Milei.

O senador rebateu atribuindo o endividamento das famílias brasileiras à condução econômica do atual governo e questionou o adversário sobre o tema. A discussão também passou pela proposta de tarifa zero no transporte público aos fins de semana. Enquanto Flávio concordou que “o trabalhador merece ter o transporte gratuito”, ele cobrou esclarecimentos sobre a viabilidade financeira da medida diante da carga tributária federal e prometeu conceder reajustes salariais acima da inflação.

Agronegócio, comércio exterior e investimentos regionais

O setor agropecuário foi tema de questionamentos no bloco direcionado ao Centro-Oeste, onde o parlamentar do PL perguntou os motivos de uma suposta hostilidade do governo federal com o agronegócio. Lula retrucou apontando o incremento nos aportes tanto para o agronegócio quanto para a agricultura familiar, além de citar o superávit comercial próximo de US$ 85 bilhões. O presidente ainda criticou a postura de Flávio em relação ao ex-presidente americano Donald Trump e às tarifas aplicadas contra mercadorias nacionais. “Se o Trump não quiser comprar do Brasil, eu vou vender para outros lugares”, pontuou.

Ao debater a região Norte, o atual mandatário destacou as ações de suas gestões na Amazônia e sugeriu que o oponente buscasse informações na internet. “Você vai perceber que foi mais investimento em saúde, mais investimento em portos, mais investimento no aeroporto, mais investimento em estradas”, afirmou. Já para o Nordeste, Flávio prometeu atuar como o “carioca mais nordestino que o Nordeste já viu”, garantiu diálogo aberto com todos os governadores e propôs a construção de uma ferrovia interligando capitais nordestinas.

O confronto televisivo representou o momento culminante da reta final da campanha eleitoral, evidenciando as divergências profundas entre os projetos políticos e econômicos dos dois concorrentes ao Palácio do Planalto.

Fonte: Metro1

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