O tratamento contra a endometriose nem sempre se restringe ao uso de medicamentos. Em diversas situações clínicas, a intervenção cirúrgica desponta como um caminho viável e necessário para conter a progressão do distúrbio e restabelecer o bem-estar da paciente, segundo explicam o cirurgião especialista na área, Dr. Joaquim Paulo, e o coordenador de ginecologia e obstetrícia do Hospital Mater Dei Emec, Dr. Francisco Mota.
Como a endometriose atua no organismo feminino
O útero é constituído por três camadas de tecidos, sendo a mais interna denominada endométrio. Essa estrutura tem o papel de acolher o óvulo fecundado durante a gestação ou de se descamar e ser eliminada no fluxo menstrual quando não há fecundação. O problema tem início quando fragmentos desse tecido se instalam fora da cavidade uterina: A presença dessa camada em outros locais chama-se endometriose, explica Dr. Francisco Mota.
Embora possa acometer pacientes de qualquer faixa etária, inclusive adolescentes, a patologia costuma incidir com maior frequência a partir dos 30 anos. A oscilação hormonal desempenha papel direto nesse mecanismo, conforme detalha o ginecologista: Isso se dá porque a endometriose é “hormônio-dependente”, ou seja, ela é “ativada” pelos níveis de estrogênio no corpo. É também por essa razão que a doença se encerra na menopausa, quando há uma queda desse hormônio.
O alcance das lesões pode superar os limites da pelve. De acordo com os médicos, já foram detectadas células endometriais no reto, nas paredes do intestino e, de forma extremamente rara, no diafragma — músculo responsável pela divisão entre a região torácica e a cavidade abdominal.
Critérios para indicação da intervenção cirúrgica
A decisão de operar é traçada de maneira individualizada, respeitando o histórico e as prioridades de cada paciente. A primeira etapa é a consulta de rotina no consultório ginecológico. Conforme salienta Dr. Francisco: Esse mesmo profissional pode vir a realizar a cirurgia, caso o tratamento clínico não surtir efeito, o procedimento cirúrgico pode ser realizado.
Em circunstâncias em que há infiltração profunda, a abordagem necessita de cooperação entre diferentes ramos médicos. Dr. Joaquim Paulo ressalta: Em caso de comprometimento de outros órgãos, como nos casos onde o endométrio se espalha para fora do útero, médicos de outras especialidades podem integrar a cirurgia. Ademais, a conduta inicial com remédios pode ser descartada se o plano imediato da paciente envolver engravidar.
Como suporte às condutas convencionais, Dr. Francisco tem notado em consultório uma melhora na queixa de dores entre mulheres que reduzem o consumo de itens inflamatórios, como lactose e glúten. No entanto, o especialista reforça que ainda faltam comprovações na literatura médica para certificar essa resposta biológica.
Recuperação e cuidados essenciais no pós-operatório
A ameaça de complicações exige vigilância redobrada após o procedimento. O principal alerta citado pelo Dr. Joaquim é a possibilidade de trombose. Para mitigar esse perigo, preconiza-se uma liberação hospitalar ágil, acompanhada da volta precoce a tarefas cotidianas de baixa intensidade.
Por outro lado, o retorno à atividade sexual demanda uma pausa estrita de, no mínimo, 45 dias pós-cirurgia. O médico adverte que a cicatrização da parede uterina é delicada e o esforço precoce pode culminar em rompimento da estrutura interna.
Fonte: Metro1