A tática de mobilização virtual empregada por defensores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições brasileiras transcendeu fronteiras e passou a servir de modelo para correntes progressistas em outras nações. Comunidades de mensagens no WhatsApp surgiram na França, na Espanha e na Argentina com o propósito de estruturar militantes, propagar pautas partidárias e potencializar a disseminação de publicações nos meios digitais. No território nacional, a mobilização ficou marcada pelo grupo Exército de Lula, fundado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), que alcançou a marca de mais de 10 milhões de participantes.
Contexto político internacional
O movimento de replicação ocorre em meio a um panorama global de fortalecimento de legendas conservadoras e de extrema-direita pelo mundo. No âmbito sul-americano, o panorama político atual aponta sete governantes de direita contra cinco gestões de esquerda. As frentes estrangeiras passaram a replicar dinâmicas idênticas às aplicadas pelos simpatizantes brasileiros, incluindo a divisão de atribuições entre os membros para impulsionar o engajamento e expandir o fluxo de compartilhamentos.
A expansão na Europa
Em território francês, militantes alinhados ao bloco França Insubmissa (LFI), encabeçado por Jean-Luc Mélenchon, fundaram a comunidade paralela Les Soldats Insoumis, traduzida como Soldados Insubmissos. Após a visibilidade alcançada pelo formato brasileiro, a própria legenda instituiu o canal oficial L’équipe de Mélenchon officielle para agregar simpatizantes do político. Os inscritos recebem diretrizes para adicionar novos usuários e realizar o bloqueio massivo de contas opositoras nas redes sociais, visando diminuir a visibilidade desses perfis. Determinados comunicados são redigidos em francês e português, fazendo menção ao aprendizado obtido no Brasil. A articulação antecede o pleito presidencial francês, agendado para o bimestre de abril e maio de 2027, período em que Marine Le Pen, expoente da extrema-direita local, figura na ponta das intenções de voto conforme levantamentos.
Ações na Espanha e na Argentina
Já no cenário espanhol, a comunidade La fuerza de la gente agrupa defensores do chefe de governo Pedro Sánchez, integrante do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE). Os adeptos difundem materiais audiovisuais, fotografias e pronunciamentos do líder para impulsionar a propagação de sua imagem pública. Em certos conteúdos, a figura de Lula também é exibida, enquanto ativistas seguem as diretrizes conhecidas como as seis regras da estratégia digital de Janones. Sánchez lidera o poder executivo desde junho de 2018 e estabeleceu o pleito geral para 29 de novembro de 2026 visando à permanência no cargo.
Do outro lado do Atlântico, a Argentina abriga o coletivo Ejército del Peronismo, focado em simpatizantes do peronismo, bloco que faz oposição à administração de Javier Milei. Os textos difundidos mencionam o presidente brasileiro e o método aplicado no Brasil, além de estimularem os presentes a promover o grupo e angariar novos adeptos. Milei, liderança direitista e aliado de figuras como Donald Trump e Flávio Bolsonaro, representa o principal opositor do kirchnerismo, facção associada ao peronismo. Assim como verificado nos casos francês e espanhol, o projeto argentino tem como finalidade estruturar a base de apoio e intensificar a distribuição de material político na internet.
Fonte: Metro1






