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Conheça a tradição da Festa de São José no Rodeadouro, celebração centenária e parte das raízes juazeirenses

Célia Regina da Silva Santos, 68 anos, aprendeu cedo a cultuar São José, padroeiro da comunidade do Rodeadouro, no sertão baiano. A admiração pela imagem divina foi herdada do seu pai, um promesseiro fiel que nunca faltava à tradicional festa para o santo, realizada há séculos na região. “Quando se falava em São José, ele movia céus e terra para participar de tudo”, conta. De sua infância para cá, a filha já soma décadas envolvida na cerimônia, que acontece sempre no dia 19 de março.

A festividade encerra o rito do novenário, período de nove dias de orações e celebrações ao pai adotivo de Jesus. Este ano, a programação inclui alvorada e o tradicional ‘Samba de Véio do Rodeadouro’, manifestação cultural da comunidade. O evento ainda leva barcos ao rio para uma viagem que carrega a imagem do santo pelas águas do Velho Chico. Para 2025, navegações estarão à espera dos devotos em Juazeiro para fazer a viagem à comunidade. Estima-se que centenas de pessoas deverão comparecer à festa. Entre elas, a dona Célia e seus familiares.

Conta-se que a celebração é tão antiga que não se sabe ao certo quando começou. Mesmo os moradores mais velhos, como Benedita Isabel de Sena, 84, relatam que a reverência ao padroeiro já existia antes mesmo de seu nascimento.

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“Eu sei que sempre cantamos a novena – naquela época, tudo em latim – mas ninguém sabe como São José apareceu por aqui. Meus antepassados diziam que a imagem veio de uma casa construída na região do Alagadiço”, comenta. Qual tenha sido o percurso, a devoção chegou a boa parte das casas da região. Benedita mesmo ressalta, ao apontar para uma imagem do santo na sala: “aqui, a gente conserva São José em todo lugar”.

Entre os registros mais antigos conhecidos, está o de uma antiga capela, construída com madeira e barro. A igrejinha foi derrubada pelas chuvas, mas sabe-se que ainda ali já eram feitos os cultos em devoção a São José. Mesmo com a destruição, a fé da comunidade continuou firme.
Uma certeza é de que a história de fé está profundamente ligada à realidade da comunidade, segundo explica o padre Marcos da Silva, responsável pela Paróquia Santo Antônio, organizadora do festejo. De um lado, o santo é o protetor da Sagrada Família e padroeiro dos trabalhadores e da agricultura, do outro, a população, que é remanescente de quilombo, carrega a resistência e a cultura de suas raízes, atravessando gerações. E é aí que as histórias se cruzam, diz o padre.

“Como protetor dos plantios e intercessor dos trabalhadores, ele é especialmente significativo aqui, para um povo quilombola, que vive às margens do rio e que, provavelmente, realizava plantios coletivos para garantir o sustento no passado”, explica.

Para ele, em tempos de cheia ou de seca, muitos dos antepassados de Benedita e Célia podem ter recorrido ao santo em busca de abundância nas colheitas. Afinal, diz a crença que se o céu se veste de nuvens no dia de São José, o ano inteiro será de colheitas fartas. Quem sabe, mais que um santo, José de Nazaré tenha se tornado um fiel jardineiro de almas e das plantações na região.

Mas a fé vai além da natureza e das chuvas. Isso porque o Rodeadouro repousa nas curvas do Rio São Francisco, localizado a 13 quilômetros da sede do município de Juazeiro. Inclusive, os antigos contam que o nome surgiu das inúmeras voltas – ou “rodeios” – que as embarcações precisavam fazer para alcançar a terra firme. Ainda hoje, os moradores mais velhos guardam a lembrança do seu nome original: “Rodeador”.

O Rodeador é abençoado pelo Velho Chico, e tem na fé de sua comunidade o pedido, sobretudo, por proteção e esperança. Benedita diz que a comunidade costuma pedir, durante as novenas, por ajuda para enfrentar dificuldades, amparo e auxílio aos irmãos.

Para Célia, é sobre coragem para enfrentar qualquer desafio. “Quando eu invoco São José, eu sou valente”, diz. Na próxima quarta-feira, ela, Benedita, e grande parte da comunidade embarcam para a procissão, que irá atravessar o rio, ecoando seus cantos, rezas e, sobretudo, a história de sua comunidade.

Reprodução: Layla Shasta/Ascom PMJ

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