Uma nova ofensiva da Polícia Federal contra o crime organizado no Rio de Janeiro resultou na prisão do deputado estadual Márcio Canella (União Brasil) e do delegado Marcus Amim, ex-secretário estadual de Polícia Civil, na manhã desta quinta-feira (15). A ação foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e mira uma estrutura criminosa armada infiltrada em instituições públicas.
Alvos e mandados da oitava fase
A ofensiva, batizada de Operação Unha e Carne 8, cumpriu seis mandados de prisão preventiva e 16 de busca e apreensão. Além do parlamentar — segundo deputado estadual mais votado nas eleições de 2026 e ex-prefeito de Belford Roxo — e de Amim, quatro inspetores da Polícia Civil foram detidos: Christiano Gaspar Fernandes, Giovanni Gaspar Fernandes, José Carlos Alves de Souza Júnior e Pablo Jukia Felix Ferreira, conhecido como Pablo Russo. O delegado Glaucio Paz da Silva também foi alvo de buscas com acompanhamento da Corregedoria da corporação.
Canella foi localizado pelos agentes federais em sua residência, em um condomínio fechado na Barra da Tijuca, Zona Oeste carioca. Diligências ocorreram simultaneamente em municípios como Niterói, São Gonçalo, Nova Iguaçu, Petrópolis, Angra dos Reis e Armação dos Búzios. Procurada, a defesa de Canella declarou que só vai se manifestar após ter pleno acesso aos autos da investigação.
Esquema bilionário em postos de combustíveis
As apurações apontam a existência de uma engrenagem financeira ilícita operada por meio de postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Na sexta fase da operação, deflagrada em julho, investigadores mapearam 96 estabelecimentos que movimentaram cerca de R$ 7,6 bilhões em seis anos para lavar recursos com suporte político.
Em decorrência das novas provas, Moraes determinou o bloqueio de bens e a paralisação das atividades econômicas de 112 empresas, a maioria ligada ao ramo de combustíveis. Os suspeitos são investigados por formação de cartel, corrupção ativa e passiva, lavagem de capitais, violação de sigilo profissional e comércio irregular de derivados de petróleo.
Histórico de medidas cautelares
O deputado estadual já havia sido detido pela Polícia Federal em 7 de julho, quando um fuzil foi localizado dentro de seu veículo. Naquela ocasião, permaneceu preso por três dias até ser liberado por decisão de Moraes sob monitoramento de tornozeleira eletrônica, restrição que acabou totalmente revogada semanas depois, no dia 23 do mesmo mês.
Origem das investigações e conexões com facção
O inquérito da Operação Unha e Carne teve início em dezembro de 2025 para averiguar o vazamento de relatórios e dados estratégicos de inteligência que beneficiavam líderes do Comando Vermelho antes de incursões policiais. O caso tem relação direta com as diretrizes da ADPF 635 (a ADPF das Favelas), em que o STF determinou a apuração de vínculos entre agentes do Estado e facções criminosas.
Com o aprofundamento das apurações, o cerco se expandiu para outros nomes do cenário fluminense. Em etapas anteriores, foram alvos o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar, o deputado Thiago Rangel — detido na quarta fase por suspeitas de fraude na Educação — e o pastor Márcio Poncio, investigado na quinta etapa por suposta ligação com a Máfia do Cigarro.
Fonte: Metro1