O Tribunal do Júri do Fórum Ruy Barbosa, em Salvador, sentenciou Josevan Dionísio dos Santos, conhecido pelos apelidos de “BZ” ou “Buzuin”, a cumprir 28 anos de reclusão em regime fechado pelo assassinato da ialorixá e ativista Maria Bernadete Pacífico Moreira, a Mãe Bernadete. Ele é o terceiro envolvido a receber condenação judicial pela morte da líder comunitária.
Dinâmica da invasão e execução do crime
O crime foi cometido em 17 de agosto de 2023, no Quilombo Pitanga dos Palmares, localizado no município de Simões Filho. Segundo a denúncia elaborada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), ligado ao Ministério Público da Bahia (MPBA), Josevan atuou diretamente na execução ao lado de Arielson da Conceição Santos.
A sustentação da acusação em plenário, conduzida pelo promotor Raimundo Moinhos, apontou que o homem invadiu o imóvel portando arma de fogo. No local, ele obrigou os netos da ativista a irem para um quarto e confiscou os aparelhos celulares de quem estava presente. Em seguida, diante da recusa de Mãe Bernadete em obedecer à ordem para que se sentasse, os criminosos dispararam 25 vezes contra ela.
Motivação e apurações da Operação Pacific
As investigações demonstraram que a ordem para matar a liderança partiu do comando de uma facção criminosa. Os traficantes buscavam neutralizar o posicionamento ativo e as denúncias promovidas pela quilombola contra a expansão e o comércio de drogas no território tradicional.
A condenação ocorreu com base no material colhido durante a Operação Pacific, força-tarefa criada para identificar e punir mandantes e executores do assassinato. O Ministério Público reuniu dados técnicos de geolocalização, depoimentos testemunhais e a confissão formal apresentada por Arielson, elementos que foram determinantes para o veredito dos jurados nesta terça-feira (13).
Fonte: Metro1