A bióloga e pesquisadora Milena Soares foi recentemente eleita membro da Academia Mundial de Ciências para o Avanço da Ciência nos Países em Desenvolvimento. Reconhecida globalmente, ela também integra a Academia de Ciências da Bahia e a Academia Brasileira de Ciências. Milena, que nasceu no Rio de Janeiro, escolheu a Bahia como seu lar há mais de 20 anos, onde realiza importantes contribuições científicas.
Atualmente, Milena é professora titular no Instituto Tecnológico em Saúde do Senai Cimatec e pesquisadora titular no Instituto Gonçalo Moniz, Fiocruz Bahia. Seus estudos estão focados em doenças negligenciadas, como leishmaniose e doença de Chagas, além de terapias celulares e gênicas. O objetivo é garantir que tratamentos inovadores cheguem a todas as camadas sociais, independentemente da classe econômica.
A escolha para a Academia Mundial de Ciências foi resultado de sua dedicação a esses projetos de grande impacto social. Após ser indicada pela Academia Brasileira de Ciências, Milena enviou um dossiê detalhado sobre seus estudos, acompanhado de cartas de recomendação de pesquisadores renomados internacionalmente.
Em entrevista, ela afirmou: “O Brasil tem suas dificuldades, mas está muito à frente de outros países em desenvolvimento. Contribuir com pesquisas e apoiar jovens pesquisadores é fundamental”, destacou.
Interesse Pela Ciência desde a Adolescência
Milena revelou que seu interesse pela biologia surgiu cedo, aos 14 anos, quando seu irmão mais velho montou um laboratório de química em casa. Embora não tenha gostado da química, descobriu sua verdadeira paixão pela biologia e física. Por isso, escolheu estudar Ciências Biológicas (Genética) na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e seguiu para o doutorado em Ciências Biológicas (Biofísica), com uma experiência de doutorado sanduíche na Harvard University (EUA).
“Esse reconhecimento é fruto de um trabalho árduo, porque ser pesquisadora no Brasil não é para os fracos”, afirmou Milena, destacando os desafios da profissão. Para ela, a falta de incentivo e os baixos salários são fatores que preocupam o futuro da pesquisa científica, não só no Brasil, mas globalmente. Muitos jovens acabam desmotivados a seguir na área devido às condições de trabalho.
“É preciso melhorar as condições para atrair mais pessoas para a carreira científica”, concluiu.
Fonte: g1 BA.