A representatividade feminina nas instâncias de comando dos partidos políticos brasileiros continua sendo um grande desafio para a construção de uma democracia mais igualitária. Apesar de avanços nas últimas eleições, onde a presença feminina no Congresso Nacional aumentou, a estrutura interna dos partidos, majoritariamente masculina, dificulta o avanço das mulheres para posições estratégicas dentro das siglas, como nas executivas nacionais.
A Precariedade da Representação nas Executivas Partidárias
Um levantamento feito pela GloboNews revelou que, entre os 10 partidos com maior representatividade na Câmara dos Deputados, a participação feminina nas executivas nacionais é surpreendentemente baixa. Entre os partidos, os números são alarmantes: o PL, o União Brasil, o PP e o MDB têm apenas 13% a 20% de mulheres em suas direções. A exceção é o PT, que, com 48% de mulheres, se destaca pela maior proporção, embora ainda longe da paridade desejada.
Pouca Representação nas Lideranças Partidárias
Quando se trata de liderança partidária, o cenário também é desolador. Apenas cinco partidos no Brasil têm mulheres na presidência: PCdoB, Podemos, PSOL, Rede e PMB. A saída de Gleisi Hoffmann do PT, para assumir uma secretaria, diminui ainda mais a já reduzida presença feminina no comando das legendas.
O Impacto da Falta de Representação Feminina na Política
O predominante domínio masculino nas decisões partidárias reflete diretamente nas estratégias eleitorais, dificultando o acesso de mulheres a cargos de poder. A deputada Carol Dartora (PT-PR) aponta que o controle sobre recursos e a escolha das candidaturas são fundamentais para consolidar a exclusão feminina. Sem acesso ao poder nas siglas, as mulheres têm menos chances de crescer politicamente e ocupar cargos de relevância, o que prejudica a representação da diversidade na política.
Mulheres Negras, Indígenas e Trans: A Exclusão no Processo Partidário
A disparidade de gênero é ainda mais acentuada quando se fala nas mulheres negras, indígenas e trans, que enfrentam barreiras ainda maiores para alcançar cargos estratégicos. De acordo com a professora Luciana Ramos, as mulheres que ocupam as posições de decisão nos partidos tendem a escolher candidatas que compartilham um perfil similar ao seu, o que exclui, principalmente, as mulheres negras e indígenas.
Propostas para Mudar a Realidade Política das Mulheres
Para reverter esse quadro, especialistas e parlamentares como a deputada Sâmia Bomfim (PSOL-SP) e a **ex-deputada Vivi Reis defendem a implementação de políticas e regras que garantam maior participação feminina nas decisões partidárias. A estrutura das siglas precisa ser reformulada para que as mulheres ocupem espaços de poder, não apenas como candidatas, mas também como líderes de fato.
O Desafio da Paridade de Gênero
A luta por paridade de gênero dentro dos partidos políticos brasileiros não se resume à presença de candidatas nas eleições, mas passa pela necessidade de ocupar cargos decisórios, onde se distribuem os recursos e as políticas. A representação política das mulheres não deve ser apenas numérica, mas também qualitativa, refletindo as pautas e lutas que envolvem o público feminino de maneira mais ampla, incluindo as questões das mulheres negras, indígenas e trans.
Considerações Finais
O avanço da representatividade feminina na política depende, sobretudo, de mudanças profundas nas estruturas internas dos partidos. Sem um fortalecimento da presença feminina nas executivas e cargos de liderança, o Brasil continuará a ter um Congresso e um governo que não refletem a diversidade da sociedade, limitando as oportunidades de mulheres que buscam fazer a diferença na política nacional.
Fonte: G1
Redação