A Assembleia Geral da ONU aprovou, nesta quarta-feira (28), a resolução que pede o fim do embargo dos Estados Unidos a Cuba, tema discutido na assembleia desde 1992. O placar registrou 130 votos favoráveis, incluindo o posicionamento do Brasil, além de 17 contrários e 25 abstenções, representando o menor apoio internacional à pauta desde 1995.
Articulação dos estados unidos A redução no respaldo ocorreu após uma forte ofensiva do governo de Donald Trump, que promoveu um evento na sede das Nações Unidas com ex-presos políticos cubanos. O objetivo foi convencer delegações aliadas de que as sanções econômicas não são a causa principal da crise enfrentada pela ilha.
Debates acalorados e atritos As discussões começaram na terça-feira (27) e se estenderam até a votação no dia seguinte. O período foi marcado por bate-boca entre o representante dos EUA na ONU, Mike Waltz, e o chanceler cubano, Bruno Rodríguez Parrilla. A delegação cubana tentou interromper a fala do americano, acusando-o de difamar a ilha, porém Waltz disse que não seria interrompido e que a delegação o tratava como se tratam opositores em Cuba.
Posicionamento do brasil O Brasil retomou o voto favorável ao texto, postura adotada historicamente pelo país, com exceção do período da gestão de Jair Bolsonaro (PL), quando votou contra em 2019 e se absteve em 2021 e 2022. O representante brasileiro na ONU, Sergio Danese, citou relatórios de agências independentes da organização que apontam que o bloqueio impede a chegada de ajuda humanitária à ilha. Também criticou os efeitos extraterritorial da legislação americana sobre terceiros países e a inclusão de Cuba na lista de Estados patrocinadores do terrorismo.
Cenário na américa latina Entre os países latino-americanos, registraram voto contrário Argentina, Colômbia, Paraguai, Equador e Costa Rica. As abstenções partiram de Chile, República Dominicana, Honduras e Peru. Já México, Uruguai, Nicarágua e Panamá acompanharam o Brasil no voto a favor.
Histórico das sanções O fim do bloqueio já foi aprovado pela ONU um total de 34 vezes, mas nunca foi extinto pois as Nações Unidas apenas aprovam resoluções, sem qualquer efeito jurídico obrigatório. O embargo completou mais de seis décadas desde que foi proclamado em 1962 pelo então presidente John F. Kennedy, sofrendo oscilações conforme o diálogo diplomático bilateral. No segundo mandato de Trump, as medidas restritivas foram endurecidas com processos judiciais contra nomes como Raúl Castro e o estrangulamento das importações de petróleo.
Enquanto a Casa Branca aponta Cuba como risco à segurança regional devido a parcerias com potências como China, Irã e Rússia, organismos internacionais majoritariamente avaliam que a crise social cubana vem sendo agravada pelo bloqueio, embora haja disputa sobre a origem do problema.
Fonte: Metro1




