Famoso por se passar por herdeiro da Gol em um carnaval fora de época e enganar celebridades, ele virou livro, filme com Wagner Moura e personagem de podcast policial.
Marcelo Nascimento da Rocha, conhecido em todo o país como Marcelo VIP e apontado como um dos maiores golpistas do Brasil, morreu aos 49 anos em Curitiba, após complicações de uma cirrose. A morte ocorreu ontem e foi confirmada por seu amigo e advogado Nilton Ribeiro, que o defendia havia mais de 15 anos.
“Um cliente que se tornou um grande amigo. Hoje nos despedimos do incrível Marcelo Vip”, escreveu o advogado nas redes sociais, ao anunciar a partida do ex-golpista.
Natural do Paraná, Marcelo VIP ganhou notoriedade nacional pela facilidade em assumir identidades falsas e enganar pessoas conhecidas. Ao longo da vida, se passou por músico, atleta e até por filho do dono de uma grande companhia aérea brasileira. O velório está marcado para a tarde de hoje, em São José dos Pinhais (PR), na região metropolitana de Curitiba.
O golpe que o tornou famoso
O episódio mais conhecido da trajetória de Marcelo VIP aconteceu em outubro de 2001, durante o Recifolia, carnaval fora de época realizado no Recife (PE). Na ocasião, ele se apresentou como Henrique Oliveira, então vice-presidente da companhia aérea Gol e filho de Nenê Constantino, fundador da empresa.
Com essa identidade falsa, Marcelo deu entrevista ao apresentador Amaury Jr., circulou de helicóptero e frequentou camarotes exclusivos. Em frente às câmeras, chegou a afirmar que o grande segredo da Gol para crescer no mercado era comprar seus próprios aviões em vez de recorrer ao leasing, estratégia utilizada por outras companhias.
A atuação convincente abriu portas para ambientes restritos. Marcelo fez amizade com artistas globais, apareceu em fotos ao lado de diversas celebridades e aproveitou ao máximo o acesso que conquistou com a farsa.
De golpista a personagem de livro, filme e podcast
A sequência de golpes e a personalidade de Marcelo VIP chamaram atenção também do mercado editorial e do cinema. Sua história rendeu o livro “VIPs: histórias reais de um mentiroso”, escrito pela jornalista Mariana Caltabiano. A obra foi construída com base em entrevistas concedidas por ele enquanto estava preso, revelando bastidores das fraudes e detalhes de sua vida pessoal.
A trajetória do golpista ainda chegou às telas: o filme “VIPs”, estrelado pelo ator Wagner Moura, foi inspirado na vida de Marcelo, mostrando como ele assumia múltiplas identidades e conseguia enganar pessoas influentes em diferentes ambientes.
Mais de 34 anos em condenações
Ao longo dos anos, Marcelo VIP foi condenado a mais de 34 anos de prisão por uma série de crimes. Entre as acusações que resultaram em condenação estão estelionato, falsidade ideológica, roubo de avião e associação ao tráfico de drogas.
Sua história recente também voltou ao destaque ao se tornar um dos personagens da série de podcasts “Ficha Criminal”, do UOL, que reconstitui casos reais e perfis de figuras marcantes do crime no Brasil. Mesmo após tentar se afastar da vida de golpes, o nome de Marcelo continuou ligado a um dos capítulos mais peculiares do estelionato no país.
Com sua morte em Curitiba, aos 49 anos, encerra-se a trajetória do homem que ficou conhecido como Marcelo VIP, personagem controverso que transitou entre o crime, a fama e o imaginário popular brasileiro.
Redação com informações da FolhaPress